Bertioga – Maresias 75 km Solo = Sonho – DOR – Lágrimas – Conquista


Participação especial nesse post! Hoje o ultramaratonista Thiago vai contar para nós como foi participar da prova de revezamento 75k Bertioga Maresias (mais conhecida como BM) que aconteceu no dia 22/05/2016. Prepara que a história é longa, mas muito emocionante:

“Difícil será encontrar palavras para descrever a emoção, mas vamos lá:

 A Maratona de revezamento Bertioga Maresias é uma prova de 75 km que como o próprio nome diz vai da praia da enseada de Bertioga até a praia de Maresias.

São sete postos de controle e troca, conforme pode ser visto abaixo:

Descrição do percurso e postos de troca


 

A prova se realiza em duas etapas todos os anos uma em maio (1ª etapa) e outra em outubro (2ª etapa), e conta com as seguintes categorias:

Força Livre Feminino, Masculino e Misto – revezamento com 8 atletas

Aberta Feminina, Masculina e Aberta – revezamento com 6 atletas

Trio Feminino, Masculino e Misto – revezamento com 3 Atletas

The Survivors Feminino e Masculino – Solo os 75k

 

Sonho:

Corro desde os 18 anos, peguei gosto por correr no exército e entre idas e vindas na corrida (muitas histórias envolvidas nisso), a 4 anos e meio voltei depois de um longo e tenebroso inverno parado. Fiquei uns 3 anos mais ou menos tendo uma vida desregrada, comendo errado, bebendo muito e fumando mais do que nunca.

Inspirado por meu primo Sérgio Oliveira Rocha, que vinha realizando feitos em maratonas e corridas pelo mundo, resolvi arriscar! Comprei um tênis qualquer e me lembro que a primeira corrida (ainda fumante) não consegui completar 2 K.

Coloquei na cabeça que ia treinar sozinho e pensando grande, busquei algumas planilhas e fui treinar logo para completar uma meia maratona, sendo certo que não faria outra prova que fosse menor do que esta distância. Isso foi em fevereiro de 2012. Me preparei por um ano, e nesse tempo conheci o grupo de corrida (amigos) que meu primo participava, os MBs, e com eles aprendi muito, mas principalmente a me divertir e a amar a corrida.

Realizei a meia maratona de SP, em fevereiro de 2013, lembro que fiz um tempo de 1:36 h e todos me diziam que era um tempo excelente. Posteriormente fiz algumas provas de 10 k e lá pela minha quarta ou quinta prova, meu primo me convidou para participar de uma prova de Revezamento na praia, “uma tal de Bertioga Maresias”. Eu, sem nem saber do que se tratava, aceitei, afinal o cara era meu ídolo e estava me convidando a correr com ele. Lembro que me pilharam sobre eu fazer um trecho com uma subida que descreveram como insana (falarei um pouco dela mais para frente) e eu comecei a treinar subida como um louco, pois queria fazer bonito.

Resumindo um pouco a história, fomos em uma turma enorme para a praia e foi só diversão e piadas. Chegado o dia fiquei no apoio até o PC 4, visto que faria apenas dois trechos: o longo de 14.2 k e o trecho final de 10.9K que tinha a tal subida.

Trecho da prova, parte dos 14,2k


Durante o tempo que fiquei nos PCs fui vendo o andamento da prova, e algo mexeu muito comigo logo no primeiro, a cada Survivor que passava era um frenesi de gritos de incentivo e palmas: “Vai solo”, “Monstro”, “Você é Phoda” “Força”, Vai Guerreiro”, nunca tinha visto aquilo, pois até então apenas tinha feito provas de rua que infelizmente em nosso país ainda não conta com o apoio de torcida, e é muito pouco valorizada.
Ali foi plantada a sementinha do SONHO.

Dentro de mim se instalou uma vontade de um dia fazer essa prova como solo, e isso crescia a cada PC e a cada edição que participava que até então foram as edições de 2013, 2014 e 2015.

Para terminar esse tópico, quero falar da serra que em 2013 não sabia como era, mas como essa turma já tinha me zoado muito, até por ser o novato, eu me preparei como nunca. Me lembro como se fosse hoje quando no PC 7 me passaram o Chip e eu sai como doido, até porque havia uma competição interna no nosso grupo e eu queria na minha “arrogância”, ganhar, mas ainda permanecia em mim o temor da subida devido a pilha que tinham me colocado.

Passagem do Thi por alguns Pc’s


Logo que você sai do Pc7 há uma subida a direita íngreme mais relativamente curta, e eu achei que já era a “tal”, e subi inteira correndo. Pensei comigo: “ah, era essa a subida, cai em mais uma”…. então soquei a bota, como se fala nas corridas, e após passar pelo centrinho de Boiçucanga, vem uma curva a direita, e vi o que seria pra mim uma da piores subidas que até ali eu tinha visto, (hoje já tendo feito ela correndo duas vezes fica até fácil menosprezar) e eu caminhei grande parte dela…foi um marco na minha vida!  Essa prova me levou a migrar para montanha, onde comecei a ganhar troféus e cheguei a ser campeão da famosa Ultramaratona internacional dos anjos em quarteto, onde baixamos o Record da prova em 2 horas em 2015.
 
DOR:

 Não ache que sentirá dor, tenha certeza que ela virá e que você vai brigar com ela, vai negociar, mas no final vai vencê-la.

Apesar de ter outras provas para fazer esse ano ainda…essa era minha prova alvo, e me preparei para ela desde julho do ano passado.

Aqui abro dois parênteses:

Emerson Bisan – Seria difícil apenas elogiar o profissional incrível que ele é, mas isso a própria biografia dele é capaz de contar sozinha. Falo do Mestre, amigo, treinador, agregador. Um cara que está sempre disponível, sempre pronto e com uma palavra de incentivo, e que acredita no sonho das pessoas e as inspira a concretizá-los…minha reverência a você grande Mestre.

Família Nova Equipe – Sem demérito algum de nenhuma assessoria esportiva, mas essa é a casa onde eu moro e que amo.

Pc’s: bem vazio pela manhã, devido a largada antecipada dos solos, e bem mais cheio de torcida durante a prova e a chegada


Fiz todos os treinos que precisava, provas preparatórias, fizesse chuva ou sol e cheguei crente que estava preparado. Costumo dizer a todos para se divertirem nas provas e foi com esse intuito que cheguei, mas sou sabedor também que sou competitivo e que a prova começa dias antes com a ansiedade, e dentro de sua cabeça, coração e alma.

Fiz os primeiros 42 k sorrindo e num ritmo forte, apesar da chuva fui curtindo cada momento desde a escuridão da largada com muita chuva pra lavar a alma, até as paisagens que se desenhavam em praia, estradas, e trilhas single.

Larguei preocupado, pois meu apoio não tinha chegado, e fiquei me questionando como ele me encontraria, além de que as coisas nem tinham sido colocadas no carro de apoio ainda.

Na metade dos primeiros 10 k entre a largada e o PC 1, ainda no escuro, escuto alguém gritando…Thiagooooo…e ali veio meu primeiro sopro de vida na prova! Aqui abro mais um parênteses:

Fui apoiado pelo Osvaldo Stevano, sua esposa Bete Martin, Juliana Bakanovas (a gata na pixta) além de minha filha e a filha desse casal fantástico. Não há palavras para agradecer e nem espaço aqui pra dizer o que esse casal significa pra mim. Bete se não fosse você no último trecho não sei se eu chegava!!!

Apoios do Thi durante a prova


No PC 5 na praia da Juréia era hora de me alimentar e pela primeira vez me alonguei como devia e vi que minha musculatura já estava reclamando…. daí para frente foi uma guerra psicológica com meu corpo e com a prova que entrava na sua fase mais dura, com subidas e praias mais desafiadoras.

Começaram as câimbras, as quais eu nunca havia sentindo em nenhuma prova, mas com elas também vieram uma das coisas mais sensacionais que existem em ultramaratonas, a solidariedade entre os participantes…a todo tempo você passa por alguém que pergunta se você está bem, te oferece recursos, te ajudam a alongar, assim como nós também fizemos com vários participantes.

Resumindo…. dor…câimbras…músculos que nem sabia que existiam doloridos, e ainda a serra por vir…precisaria de um post só pra contar essa passagem pela serra, as conversas com outros ultras, a conversa comigo mesmo, a negociação com o corpo e a vontade louca de chegar.

Km 69 na Serra de Maresias


Lágrimas:

Chegando ao topo, vimos a famosa placa do “desça engrenado”, a partir dali a Bete Martin correu ao meu lado o tempo todo, me elogiando, me motivando, e chorando junto comigo, me lembro de pararmos no final da descida faltando 1,5 k tendo percorrido 73.5 k, e ela me ajudando a alongar a panturrilha que insistia em não chegar… Corremos mais 500 metros e veio a praia! Me lembro de abaixar com dificuldades, e pegar a areia molhada e fofa em minhas mãos, pois queria sentir a realidade daquele momento e dali por diante todo um filme passou em meus olhos com dores, lesões, treinos, cansaço, recusas pra eventos, sorrisos de superação em provas, medalhas, troféus.

Corri aquele último quilômetro todo torto, com o mar batendo em meus pés, e aqueles 300 metros finais com areia fofa pareciam intermináveis! A multidão esperando, vibrando, gritando e você ouvindo aquilo que viu na primeira prova que fez… “Vai solo”, “Monstro”, “Você é Phoda” “Força”, Vai Guerreiro”, ver seu apoio te esperando… filmando sua chegada, chamando pelo seu nome e abrindo um enorme sorriso de realização… algumas pessoas de sua equipe que fizeram trio e já haviam chegado te estendendo a mão…

“A” chegada!


Passei aquele pórtico de chegada extasiado, dei um tapa na fita, gritei..vibrei…mas estava exausto, demorei alguns segundos para perceber que minha namorada estava ali..dei um beijo nela e em minha filha, abracei todos e ainda não acredito que corri 75 km em aproximadamente 8:17minutos!
 

Comemorando a chegada!

Conquista:
Demorei a entender o feito…peguei minha medalha e do meu apoio, e quando pensei que a magia tinha acabado, qual não foi minha surpresa quando por quase todas as pessoas que eu passava, em especial aqueles outros malucos que também fizeram a prova solo, me paravam, me parabenizavam, vinham trocar experiências, ou simplesmente falar comigo e abraçavam, me olhavam com admiração e respeito como se cada um dissesse a mim…você é grande… Ainda tive o privilégio de ver o orgulho da minha namorada que parecia ainda mais realizada do que eu, de minha filha e de meus amigos.


Parei por um instante, me afastei, fui até o mar, olhei e agradeci, deixei algumas ondas geladas baterem sobre minhas pernas exauridas de forças… Voltei e sentei de frente ao mar, e talvez pela primeira vez em minha vida senti que tinha realizado algo que ficaria marcado dentro de mim para sempre, algo meu, algo grande…não para a humanidade ou nada disso, mas para uma CONQUISTA pessoal.

Hora de comemorar!


Parafraseando Walt Disney “se você pode sonhar, você pode realizar”.

 Agradeço:

ao Mestre Jesus e a toda a luz que sempre me deu

Emerson Bisan

Aurea Bisan

Osvaldo Stevano

Bete Martin

Juliana Bakanovas

Nova Equipe

Sem vocês nada disso seria possível.”

Espero que essa história sirva de incentivo à todos vocês! Para não desistirem de seus sonhos e de sempre acreditarem que tudo é possível!


@julibak com a ajuda do Thi

 

 

 

 

 

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4 comentários sobre “Bertioga – Maresias 75 km Solo = Sonho – DOR – Lágrimas – Conquista

  1. Parabéns Thiago 👏🏼👏🏼👏🏼
    Vc é Lindohh!!!!
    Alma linda!,sorriso colorido!!, olhar Ilumindo!!
    Desejo que seu caminho seja de Paz/Amor e Conquistas!!!!❤️😘

    Parabéns aos Apoios👏🏼👏🏼👏🏼
    Adooooooro❤️❤️❤️❤️🌷✨🙏🏼😘

    Curtido por 1 pessoa

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