Ultramaratona Internacional da Serra da Mantiqueira – 24h


Ainda no nosso clima de união no esporte, temos mais uma história de espírito de equipe. Quem vai contar sobre essa aventura de ficar correndo durante 24 horas em uma prova de pista é o “quarteto mágico” dos nossos amigos que participaram dessa “loucura” no último final de semana. Se preparem e depois nos contém se vocês têm essa coragem! 😬😉 
Thiago Matarazzo


“Em meio a Bertioga maresias do começo do ano, eu e meu amigo Renan tivemos o mesmo desejo de fazer uma prova grandiosa para nossa história, que ainda mantemos em segredo, falando com nosso coach o mesmo nos orientou e além de um treinamento beirando a insanidade, algumas prova foram colocadas em nosso caminho e uma delas foi a BR 135, uma das ultras mais duras do Brasil, a qual faríamos em quarteto, e que logo fechamos através do desejo de mais dois amigos de equipe o Rodrigo e Gilmar.

Durante alguns meses nós fizemos muitos treinos juntos e algumas provas, mas nenhuma onde ficássemos tanto tempo juntos, e foi uma experiência incrível.
Sexta feira partimos de São Paulo para Passa Quatro, todos bastante entrosados e ansiosos, tirando o Renan nenhum de nós havia feito prova em pista.

Estávamos usando esta prova para treinar para BR a parte do revezamento, mas seriam 24 horas privados de sono e em alerta para corrermos a cada uma hora e meia em média.
Aquela noite foi longa, e pela manhã aquela correria para arrumar as coisas. Nós parecíamos um mercado ambulante, em meio a barraca, cadeira, cooler, comida para uma semana de sobrevivência.

Chegamos ao Local, e a prova já estava rolando, visto que outros malucos já haviam largado um dia antes para as 48 horas. Vimos muitos rostos conhecidos e a chegada de quem iria fazer 24 horas parece que deu um animo a eles.

Estávamos no meio dos maiores ultramaratonistas do Brasil e alguns de fora e a atmosfera era incrível. Acho que nunca em uma só prova conversei e tive tantas lições observando e conversando.

Largamos as 10 da manhã e o sol estava de rachar. Aqui faço um parênteses: o clima é algo a se considerar em ultramaratonas que duram mais de um dia, pois passamos por muito calor e de noite muito frio, extremos que influenciam muito na prova.
Não vou detalhar a prova que é dura pela privação do sono e que por isso você fica sem conforto, sem alimentação correta… mas quero destacar a camaradagem o incentivo e o aprendizado que tive com esses amigos que se tornaram irmãos e fazem e farão ainda mais parte de minha história, porque faremos o Rei da Montanha 42 k lado a lado e em janeiro a BR 135.

Fizemos no total 254 k atingindo o objetivo do grupo e os objetivos pessoais.

Quanto a mim sou só gratidão ao nosso mestre, amigo e coach Emerson Bisan que além de acreditar em nossos desejos e sonhos nos preparou brilhantemente para essa e para as provas que ainda estão por vir. E aos meus companheiros sei que não poderia ter cia melhor para a realização deste feito.”

Rodrigo Lourenço


“Tudo nasceu com a pretensão da participação na BR135 (considerada a principal ultramaratona do Brasil) em quarteto na edição de 2017. Currículos enviados e aprovados vamos a preparação. Uma das provas teste seria a Ultramaratona Internacional da Serra da Mantiqueira na categoria 24hrs em quarteto, para realizarmos todos os testes possíveis como alimentação, suplementação, hidrtatação e principalmente o gerenciamento de sono e cansaço. Logicamente a integração da equipe não fugia do teste, pois nunca havíamos feito uma prova somente os 4 juntos, ainda mais por 24hrs. Seria uma experiência e tanto, muita coisa em teste no jogo. 

Na sexta feira logo pela manhã recebemos uma mensagem muito motivadora do nosso treinador Emerson Bisan, como ele sempre costuma fazer, mas essa era diferente, nos dando a dimensão da prova e da importância, nos falando que estaríamos entre os principais ultramaratonistas do Brasil e da confiança que ele tem no time. 

Cheguei em Passa Quatro (MG) na sexta a noite e fui direto para o local da competição, pois o pessoal da modalidade de 48hrs já haviam largado nesse mesmo dia as 10h. Queria sentir o clima da prova, entender como era tudo aquilo e um detalhe: eu nunca havia participado de uma prova em pista de atletismo. Lá estavam os atletas “rodando” na pista todos concentrados e focados… os olhos chegam a brilhar vendo tudo aquilo! (risos) Haviam muitas barracas montadas ao redor da pista, onde os atletas se alimentavam, descansavam e também descontraiam. 

Jantei macarrão como de costume e fui para pousada descansar, no sábado as 9h estávamos no local da competição! Tínhamos um verdadeiro arsenal de comida, hidratação, roupas e tudo que fosse preciso. 

Contamos com a ajuda essencial da Gra (namorada do Gil) e Vivian (esposa do Renan), que ajudaram na organização do nosso QG, desde montagem da barraca até a alimentação. Foi dada a largada as 10h da manhã. Por volta de 11h foi minha vez de entrar na pista, na ordem eu era o 3º do revezamento. A estratégia era de rodar 5k cada até onde aguentássemos e depois se necessário mudaríamos.

No final da minha 9ª entrada na pista, quando completei 45k, por volta de 2h da manhã,  ninguém ainda tinha dormido. O Renan me informou que a próxima volta seria de 10k cada um, para todos dormirem um tempo razoável de 2h cada um. Neste momento eu ja começava a sentir um certo cansado e desgaste e respondi prontamente que achava que não aguentava… ele pediu para eu tentar descansar um pouco e se realmente não aguentasse alguém me cobriria. 

Consegui dormir por aproximadamente 1:30h, voltei para pista exatamente as 4:50 da manhã decidido que faria os 10k, mesmo que fosse necessário caminhar. Consegui correr os primeiros 5k e os 5k finais usei a estrategia de andar 200mts e correr 200mts. Entreguei os 10k por volta de 6:10h, ja estava dia e o calor já tinha voltado.

Faltavam mais 5k para eu completar o objetivo inicial que era de pelo menos 60k cada um. Após todos entregarem os 10k, decidimos que as próximas voltas eram de 2,5k cada, ou seja, faltava apenas 2 entradas na pista para cada um. Acredite, para mim foram as 2 entradas mais difíceis! Na última entrada de 2,5k fiz metade correndo e metade caminhando. 

Na apuração final me surpreendi com o resultado, onde consegui entregar 63,2k rodados! Cruzamos a linha de chegada todos juntos, inclusive com os outros dois atletas da Nova Equipe: Eliseu e Chris que estavam nas categorias 48hrs e 24 hrs respectivamente. A prova foi encerrada com o tema da vitória do Ayrton Senna seguida da musica que é tocada na São Silvestre (Momentos de Gloria). Neste momento a emoção bateu forte por ter suportado tudo aquilo que havíamos proposto, atingido o resultado esperado. Impossível segurar as lágrimas! 

Todos os atletas ali presentes, de todas as categorias sem exceção, foram um abraçando o outro se confraternizando pelo sucesso da conclusão. Uma prova que me ensinou muito, mas muito mesmo e que realmente a mente em certas horas vai além do físico.

Quero agradecer a todos envolvidos, não vou citar nomes para não esquecer de ninguém, mas toda a família que ficou em casa torcendo, amigos que mandavam mensagens de incentivos nos grupos do Whatsapp e demais redes sociais, nosso treinador por acreditar e nos preparar para isso e claro a Deus por me dar saúde para participar dessas loucuras.”

Gilmar Paiva

“Chegou o grande dia…
Eu, Gra e Rodrigo pegamos a estrada sem saber o que iríamos encontrar lá em Passa Quatro – MG. Para mim um fato inédito, correr 24 horas revezando em 4 pessoas.

Lá chegamos e vi uma pista simples de 400 metros, gente esquisita sorrindo que já corriam a quase 19 horas.

Acordamos no sábado com a missão de fazer o nosso melhor!  E o principal: sair dessa prova entrosados. Frio na barriga e deu a largada com o Thiago, na sequência eu, Rodrigo e Renan….

Foram 24 horas de trabalho árduo, concentração e disciplina…

Mais com certeza foram as 24 horas mais incríveis que vivenciei em corridas… O nosso humor superou a dor. E nos deixou muito FORTES!!
A medida que o tempo passou, fomos nos identificando com a dor dos outros corredores… Sem combinar nada,  oferecemos comida, bebida, até massagem…

E muito, muito incentivo…
Falávamos que era a barraca Nova Equipe ( Núcleo AMOR)”

Renan Collodoro


“Esse ano eu já passei por muitas provas: fiz Maratonas de asfalto, de montanha, cruzei duas vezes a linha da Bertioga Maresias, passei por prova de 100k em pista, onde não completei no tempo de corte por segundos, fiz 6h em Piracicaba com um sol absurdo e um calor insano, passei 16h correndo os 95km da UAI, fiz 82km de Torres a Tramandaí, no Sul do Brasil onde era só praia e o visual era sempre mesmo… Tudo pensando no que ainda tenho a enfrentar em 2017, como por exemplo a BR 135+ em quarteto.

 Mas ainda não tinha enfrentado um revezamento de uma prova de 24h, na verdade, ainda não tinha enfrentado um revezamento, pois a Volta a Ilha, em Floripa, apesar de ser puxado, corri apenas 20km nas duas pernas que eu fiz. Por isso a importância dessa prova. Seria um teste incrível para o que ainda vamos enfrentar na BR, não sabia como meu corpo reagiria em correr 5k e ficar esperando chegar a minha vez de novo, quando tudo estivesse frio… mas vamos à luta e ver o que acontece, certo?

 Pegamos a estrada e fomos pra Passa Quatro enfrentar essas 24h. A estratégia estava traçada com o Emerson Bisan, nosso treinador: cada um correr 5km e revezar. Com isso, teria em média, 1h20 de descanso entre uma perna e outra.  Então já estávamos esperando ansiosos pela largada pra ver dar certo, pra nos divertirmos bastante (que foi o que mais aconteceu), e correr um pouquinho. Hahaha.

 Relógio bateu 10h, hora da largada e o Thiago foi o primeiro, seguido pelo Gil, Lourenço e eu por último. Todos suaram sangue na primeira tentativa e eu quis fazer igual! Pra aquecer, uma leve forçadinha nos meus primeiros 5k naquela pista de 400m: foram 13 voltas e 23 minutos pra completar. O calor começava a pegar, pois já nos aproximávamos das 11h20 quando entrei para esse primeiro trecho, mas ainda estava suportável. 

Chega a minha hora de descansar com os lindos enquanto o Thiago corria o segundo trecho dele, nosso acampamento estava todo armado, com colchonetes, barraca, cadeira de praia e parecia até mais um picnic no parque do que uma corrida, de tanta coisa que tinha pra comer e beber durante essas 24h.

 Depois de pouco mais de uma hora, chega a minha vez de novo e eu me surpreendo que parecia que eu estava começando a prova naquele momento. Lá fui eu para o meu segundo trecho, mas nesse momento o calor começou a pegar mais forte, ainda mais porque a pista era de terra, a poeira levantava e causava um pouco mais de clima seco pra correr, mas mesmo assim o ritmo continuou forte, causando uma surpresa boa!

E assim foi indo, em todas as vezes que corria, conseguia manter um ritmo legal, como se estivesse começando a correr naquele momento. Mas eu sabia que em algum momento o cansaço ia bater e foi com, mais ou menos 12h de prova, onde já tinha feito 5 ou 6 pernas, comecei a sentir o ritmo caindo aos poucos, enquanto a noite caia junto e aquele calor que antes fazia, começou a desaparecer.

 Entramos na madrugada ainda com a mesma estratégia, cada um correndo 5km, o que mais me surpreendeu nisso foi que em nenhum momento ninguém pediu pra pular a vez, estávamos fazendo tudo certo, todos juntos, nos divertindo, correndo, brincando, gritando, ajudando atletas que faziam suas provas solo, comeram bastante das nossas azeitonas, usaram nosso rolo de macarrão pra soltar a musculatura, nossos remédios, absolutamente fomos um posto de atendimento na prova, além do quarteto mais lindo que tinha (rs). 

Mas na madrugada o cansaço começou a apertar e tínhamos que tentar descansar e sugeri de cada um correr 10km por um trecho em vez de 5km, com isso, teríamos mais tempo pra descansar, tentar fechar o olho e dormir um pouco, até porque o frio começava a apertar bastante, então era necessário descansarmos um pouco mais do que o normal e nos mantermos aquecidos, ou pelo menor tentar nos manter aquecidos.

Assim os trechos iniciaram com o Thiago, enquanto isso eu fui pro carro, carregar a bateria do celular e a minha, ao mesmo tempo. Tentei fechar o olho lá dentro, mas era incrível como não conseguia, a adrenalina não deixava, mas aproveitei pra ficar um pouco deitado, longe das formigas que se instalaram na grama junto com a gente. Depois de quase duas horas resolvi voltar pra pista e ver o que estava acontecendo e o Thiago já estava descansando fora da barraca, o Lourenço dentro e o Gil na pista, reclamando que eu tava roubando voltas dele, pois marcávamos todas as voltas num papel, pra depois bater um a um.

Quando o Gil tava terminando o trecho dele, o Lourenço acordou pois chegava a sua vez. Nisso eu ficava lá acordado, contando as voltas de cada um… o frio batia ainda mais forte, coloquei até uma manta nas pernas, enquanto o corta vento, com touca e boné cobriam as outras parte do corpo. Realmente o frio naquela região é meio insano, nada abaixo de zero, mas é bem frio na madrugada. 

O dia começou a aparecer, já estava ficando claro quando chegou a minha vez de fazer os 10k, nisso todos já tinham descansado bastante e lá fui eu, sem tirar meu corta vento, minha toca e o boné, não tinha condições, pelo menos não até a 5ª volta das 26 que eu daria nessa pernada. Mas a hora que o corpo esquenta não dá pra manter a blusa de maneira nenhuma! 

Meu ritmo já tinha caído bastante, fiz os 10k pra 1h03 e completei meu trecho. A ideia após o trecho de 10 era fazer trechos mais curtos, de 2,5k, pra tentar chegar na meta que nós nos estipulamos de 240km no total. Então diminuir a distância dos trechos foi uma forma que encontramos de cada um tentar correr um pouco mais rápido. E não é que deu certo!

 Já se aproximava o fim da prova, já tínhamos batido nossa meta de pelo menos 60km cada um, ninguém pulou a vez, ninguém desanimou, apesar das dores que sentíamos… Continuávamos lá, firmes e fortes, querendo chegar ao fim de prova, sonhando com isso! O calor insano já estava de novo em cima de nós, saiu um sol pra cada um! Isso porque durante a semana a previsão era de chuva durante as 24h, só não nos avisaram que era uma chuva de sol. 

Nossa alimentação foi perfeita durante toda a prova, a hidratação que fizemos também. Estávamos todos bem, apesar de cansados, a preocupação que um tinha com o outro foi incrível.

 Fim de prova e nos nossos relógios marcava 243km no total, mas demos 637 voltas, o que, oficialmente, transforma em 254,8km de uma experiência incrível. 

Após a chegada chorei, como criança, porque foi emocionante ver a superação de cada um: o Thiago mantendo seu incrível pace, o Gil e o Lourenço se superando, eu mesmo cansado de todas as provas acumuladas, ainda ali, tentando forçar algo… e o tema da vitória (música do Senna) tocando, não tinha como não me emocionar! Nós conseguimos, fizemos as 24h, um cuidando do outro, sempre preocupados, sempre dando dicas, brincando, zoando, enchendo mesmo o saco um do outro, foi um espírito de equipe incrível, uma sintonia que deixou a prova realmente mais fácil do que ela foi, pois psicologicamente também é bem difícil, além das 24h, ficar rodando no mesmo lugar, é cansativo.

 Completamos e hoje eu só quero agradecer esses caras que fizeram dessa prova muito mais incrível do que ela já seria, Thiago, Gil e Lourenço, não teria equipe de revezamento melhor pra enfrentar a BR135+. Vocês são fodas.”



Dá até vontade de fazer né? Ou não? 🤔🙄😉

Anúncios

8 comentários sobre “Ultramaratona Internacional da Serra da Mantiqueira – 24h

  1. Pingback: Rei da Montanha | Gatas Na Pixta

  2. Pingback: BR 135+ Mais que uma corrida, uma história de superação, amizade e fé! | Gatas Na Pixta

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s