Brasil Ride Ultra Trail Run Botucatu

Tem coisa melhor do que estar com quem se ama fazendo o que se gosta? Não né? Hoje vamos contar sobre a Brasil Ride Ultra Trail Run que acontece em Botucatu e teve sua última edição dia 10 de dezembro, pelos olhos de um casal muito querido! A Carol fez 16k na prova e o Rô fez os 70k 😱! 
Carolina Cofani


“Posso começar dizendo que foi a prova mais dura que já participei e meus primeiros 16 km. Eu com meus poucos meses na corrida, decidi enfrentar essa prova… Cheguei a Botucatu na sexta feira para retirada do kit, e começou a bater a ansiedade e medo do desconhecido.
Passei a manhã do sábado torcendo pelo marido (que fez 70km) e me preparando. Fui ao local da largada por volta das 13:30h, o tempo passando e ansiedade aumentando. As 14:30 se olhava para o céu e via nuvens negras se formando, minutos antes da largada, fomos abençoados por uma chuva, que veio para lavar a alma.

Largamos debaixo de chuva, mas logo cessou, já havia sido informada da lama e da dificuldade que enfrentaria nos 16km. Não demorou para a dificuldade aparecer: por volta do km 5 a lama já dificultava a corrida, escorregando e grudando no tênis. Daquele ponto em diante a brincadeira começava. Logo surgiu o primeiro morro, e tive muita dificuldade para passar por ele, meu tênis escorregava demais, e cheguei a sentir medo, pois olhava para baixo e via a altura que estava e sem estabilidade alguma. Me apeguei aos matos e árvores que encontrava pelo caminho para continuar subindo. Subi, desci e escorreguei muito! Quando achava que estava no fim dos morros, aparecia mais um rsrsrs, cheguei as trilhas mais fechadas e a dificuldade continuava.
Quando estava no Km 10, minha água acabou, sentia muita sede, mas sabia que no km 12 havia água. Após me reabastecer, voltei a correr, e a partir daquele ponto foi somente descida, mas mesmo assim sentia dificuldade pois meu joelho esquerdo doía… mas segui, até avistar a usina. Atravessei o riacho e avistei a chegada e meu amor Rodrigo. Cruzei o pórtico com 2h 49’ e aquela sensação de dever cumprido. Uma prova muito bem organizada e demarcada, com uma dificuldade punk (agravada pela chuva), mas que vale muito a pena. Hoje posso dizer, uma vez que você entra na trilha, a trilha entra em você.



Rodrigo Almeida


“Acordei por volta de 4:10 da manhã, corpo já acelerado! Tomei uma ducha, peguei os equipamentos todos que já estavam preparados desde a noite anterior. Quando coloquei o que sinto ser “a minha armadura” me toquei que estava perto daquela prova da qual sim, treinei muito.
Foram meses de preparação para ali estar! Sai do hotel, peguei a van rumo a prova até então mais difícil que eu já tinha me inscrito… na mente só vinha um pensamento: “estou pronto para fazer o que amo” como disse meu irmão Thiago um dia antes da prova para mim.
Dentro da van entravam ultras de todos os cantos do Brasil, Minas, Goiás, etc…
Chegamos a prova, o locutor já na vibe, inspirando os atletas. Ali vi amigos cujo eu sabia que estavam naquele lugar para dar o seu melhor. Nos cumprimentávamos e desejávamos boa sorte uns aos outros, assim começou a cair a ficha: SIM EU ESTOU AQUI. A ansiedade batia, olhei para o céu escuro, fechei os olhos e pensei “estou pronto vamos lá”.
É dada a largada: o locutor grita e assim partimos debaixo de uma fina garoa. Parti ali para aquela que seria “a minha tão esperada prova”. De cara atravessamos um rio cujo a água batia nos joelhos… dali em diante estrada e subida, a rua barrenta segurava e o tênis deslizava junto ao barro. Chegou a primeira trilha, toda cheia de lama… ali precisei de controle pois estava muito escorregadio. Foi chegando o dia, o clima ficando agradável e fui embora, meu ritmo me agradava pois eu não fazia só força, coloquei a respiração em ordem e fui curtindo muito, pois a paisagem era linda demais. O percurso estava com várias poças cheias de barro o que para mim deixava a prova muito mais intrigante, pois ali era colocar a estratégia para funcionar e se tudo desse certo seria sucesso. 

Acabando o primeiro trecho de trilha, voltamos a estrada. Descida deliciosa, da qual se avistava novamente o rio. Passamos pelo pórtico aonde ficava o primeiro corte e, a uns 100 metros após o primeiro posto, parei, comi e hidratei, poupando as minhas reservas pois o segundo trecho era longo. Dali em diante começava as trilhas, lugar aonde eu amei, deslanchei, corri gostoso… e cansaço? Em hipótese alguma, pois ali era o que eu amava! Vínhamos cortando trilhas fechadas, trilhos de trem… ali eu peguei o celular e enviei mensagens para minha esposa: cuidado pois os 16k estão bem difíceis.
E fui embora, estava bem, estava no meu dia, eu precisava daquilo, meu corpo e minha mente estavam sincronizados, e literalmente andando juntos. Quase chegando ao segundo PC, vem um morro, e que morro! Eu antes da prova tinha dito a mim mesmo….nesses eu me pouparei. Subi bem leve sem forçar, pois ali eu ainda tinha tempo sobrando e meu corpo estava bem…. no cume, a uma boa altimetria, avisto a tenda gigante do PC, aonde os atletas de revezamento aguardavam seus parceiros e os solos se repunham do desgaste. Parei ali por minutos e pensei…vou me hidratar e vou em frente, mesmo com o tênis cheio de areia me incomodando muito. Tomei coca, enchi a mochila e fui…. Entramos em uma descida forte, mata fechada lisa, aonde veio o primeiro tombo, e que tombo! Levantei todo cheio de barro e continuei… e tome trilha! Local aonde eu sabia que poderia e tinha técnica para fluir, e assim fiz. Logo após veio os estradões longos e cheio de subidas, aonde corri ao lado de uma moça e um rapaz do qual fiz amizade, e fomos dali em diante um dando forças para o outro. Por volta do 50k já estava um mormaço, o qual fritava… minha água já estava no fim, então tomei a coca que tinha para me dar energia, mas a cabeça clamava por água. O Felipe, grande parceiro que fiz na prova, vendo que eu já estava bem desgastado tirou sua garrafa e jogou água na minha nuca… eu e ele lado a lado clamando por um rio, e a única coisa que víamos era estrada. Foi quando entramos em um sítio e escutamos o barulho de uma bica! Aquela bica….ela nos ressuscitou! Enchi a bolsa, nos molhamos e aí sim tive pernas para encarar um enorme morro…. e tome subida e das fortes! Terminando o morro, novamente trilhas, das quais nos obrigavam a passar rastejando por baixo dos bambuzais. Terminando esta parte, caímos novamente em estradão e chegamos ao ultimo PC…. alí sim foi uma parada estratégica (cerca de 5 minutos) pois tínhamos tempo de sobra, e não víamos ninguém atrás. Com a hidratação feita, alimentado, veio a chuva…. e que chuva! Coloquei o corta vento, e voltamos para a prova debaixo dela… lavamos a alma e nos revigoramos! Um km depois me vem as iniciais de cãibras… pensei : “aqui não!”. Olhei para o Felipe e lhe pedi um sal pois os meus já tinham acabado. Ele me sacou sua última cápsula e disse: toma parceiro, é sua. Eu agradeci muito, tomei e disse: “vai Felipe, você esta melhor que eu”. Ele disse: “não, estamos juntos”. Eu rebatia: “vai cara!!! Faz a tua prova”. Ele vendo que estava melhor foi embora e eu lhe gritei: “te alcanço”. Entre trotes e caminhadas fui voltando após alguns minutos, e segui na minha zona de conforto. Acabou o asfalto… Ufa, chegamos novamente as ruas de terra e trilhas. Quando cheguei perto passei por um casal que me disse…”caramba, você nos alcançou mesmo!” Ali gritei: “FELIPE”… ele olhou para trás e disse: “VAMBORA”. E assim fomos juntos novamente. Entramos em uma trilha final, ali faltava cerca de 5k. Algum participante maldoso retirou a fita de marcação, ficamos procurando o caminho por mais ou menos 1 minuto. Achamos a trilha que nos guiaria novamente até o trilho do trem. Dali em diante era só alegria, pois já estávamos na reta final! Foi quando senti a picada dolorida de um marimbondo na panturrilha, doeu sim e muito mesmo! Mas a 1k do final eu já não estava nem aí com mais nada, eu só pensava: EU CHEGUEI…. Saindo do trilho do trem passamos novamente pelo rio, o qual estava a 100m da linha de chegada… a emoção bateu, pois somente eu e a minha esposa Carolina sabíamos o que tínhamos passado naquelas duas semanas anterior a prova. Pela primeira vez chorei em um final de prova, pois eu tinha vencido a mim mesmo, uma prova cujo tempo foi de 10h e 23 minutos para mim até então era surreal, e eu sabia que estava ali! Virei e vi o pórtico e na mensagem estava escrito: “SOMOS CAMPEÕES DA MÁQUINA HUMANA”. Alí me ajoelhei, ergui as mãos e pensei, EU QUERO, EU POSSO, EU CONSIGO… OBRIGADO DEUS…

E assim encerro meu ano de 2016, como o herói que sempre sonhei em ser, e vi todos aqueles amigos guerreiros cruzando o pórtico, cada um com sua vibração, cada um com sua meta… parabéns a todos nós e que venha 2017!”


 

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Um comentário sobre “Brasil Ride Ultra Trail Run Botucatu

  1. Carol e Rodrigo, fantástico relato. Me senti dentro da prova com vocês, talvez por conhecer a prova, mas senti de vcs o que realmente significou cruzar a linha de chegada. Continuem indo atrás de seus objetivos e parabéns por essa conqusita dupla.

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